
São Paulo tremeu. Os irmãos Angus e Malcolm Young & cia se apresentaram no Morumbi, em 27 de novembro, para delírio de fãs de todos os cantos do país e da América Latina. Com o estádio absolutamente tomado, o desfile de clássicos da banda AC/DC matou a saudade dos metaleiros, com direito a locomotiva de seis toneladas e ao palco de 78 metros de comprimento por 21 metros de profundidade. (foto)
Não só a banda desembarcou por aqui. Acaba de chegar às terras tupiniquins o livro Let there be rock, que conta a história do grupo. Considerado australiano, o AC/DC tem cérebro escocês: os irmãos Young nasceram em Glasgow, mas migraram para Sidney, na Austrália. Essa é uma das inúmeras histórias conhecidas pela maioria dos fãs, mas o livro surpreende pela riqueza de detalhes coletados por Susan Masino, jornalista especializada em música.
A norte-americana conheceu a banda de hard rock (ou já seria precursora do heavy metal?) na primeira turnê dos caras, em 1977, nos Estados Unidos. Susan passou a acompanhar o conjunto de perto. Em 2003, reuniu parte do material e lançou Rock’n’roll fantasy: My life and times with AC/DC, Van Halen and Kiss, abordando histórias que viveu ao lado de alguns dos maiores grupos de rock do planeta. Susan também escreveu Famous Wisconsin musicians, sobre a trajetória de artistas de sua terra natal.
Em Let there be rock, o leitor fica sabendo, com minúcias, do que ocorreu desde a entrada do vocalista Bon Scott na banda, em 1974, à morte dele, em 1980. Com a saída de Dave Evans (não por vontade própria), Angus e Malcolm começaram a procurar alguém à altura para assumir os vocais.
Segundo a autora, Scott chegou a ser erroneamente confundido com motorista do AC/DC. Mas ele fora recomendado pelo cantor Vince Lovegrove. Susan lembra que o experimentado vocalista já havia dividido o microfone da banda The Valentines com o próprio Vince. Os irmãos Young acharam os 28 anos do rapaz um tanto quanto avançados para eles – na época, Angus tinha apenas 19.

Quando o candidato começou a cantar, não teve jeito. Ronald Belford Scott ficou no AC/DC de 1974 a 1980. Foi o vocalista dos discos High voltage (versão australiana, de 1975), T.N.T. (1975), High voltage (versão internacional, de 1976), Dirty deeds done dirt cheap (versões australiana e internacional, de 1976), Let there be rock (versões australiana e internacional, 1977), Powerage (1978) e Highway to hell (1979).
De 29 a 31 de agosto de 1977, Gene Simmons, baixista do Kiss, viu os rapazes tocando em West Hollywood, na casa Whisky-a-Go-Go, e os convidou para abrir um show de sua banda. No mesmo ano, eles haviam participado de apresentações de Johnny Winter e .38 Special.
Susan narra os bastidores das gravações de Highway to hell, álbum clássico da banda. Antes do lançamento, ela abriu shows do UFO, fazendo mais sucesso que a atração principal, e do The Who. Também subiu ao palco com Scorpions, Cheap Trick e The Doobie Brothers.

Morte Em 1980, a tragédia: Bon Scott foi encontrado morto dentro de um carro. O atestado de óbito indicou envenenamento agudo por ingestão de álcool e morte acidental. O vocalista teria se afogado no próprio vômito. Foi um enorme choque para a banda, mas Angus, Malcolm, Phil e Cliff continuaram. Susan relata as gravações de Back in black, álbum apontado como divisor de águas na história do rock. Foi o segundo disco mais vendido na história dos Estados Unidos. Brian Johnson já havia assumido o microfone.
Todos os capítulos do livro são batizados com nomes de canções do AC/DC. O volume traz farta exposição de fotos e discografia completa, com relação de singles lançados nos Estados Unidos, na Austrália e na Grã-Bretanha, além de álbuns de estúdio, vídeos e DVDs. Let there be rock, segundo a autora, é um livro de fã para fã. Ou seja: leitura obrigatória para quem já conhece ou deseja se inteirar da história do AC/DC.
NO PALCOFormação atual• Brian Johnson - vocal
• Angus Young - guitarra solo
• Malcolm Young - guitarra base e backing vocal
• Cliff Williams - baixo e backing vocal
• Phil Rudd - bateria e percussão
Ex-membros• Dave Evans - vocal
• Bon Scott - vocal
• Mark Evans - baixo e backing vocal
• Simon Wright - bateria e percussão
• Chris Slade - bateria e percussão
CURIOSIDADES• Em março de 2003, AC/DC entrou para o Rock and Roll Hall of Fame. Tocou dois clássicos na cerimônia: Highway to hell e You shoock me all night long, com a participação mais que especial de Steven Tyler, do Aerosmith, nos vocais.
• Em 1º de outubro de 2004, a Rua Corporate Lane, em Melbourne, na Austrália, foi batizada ACDC Lane. Em 2000, a banda já dera nome a uma rua da cidade espanhola de Leganés.
• AC/DC vendeu 69 milhões de discos nos Estados Unidos. É a quinta banda em vendas do país e o 10º artista no ranking ianque, superando Madonna e Michael Jackson.
• AC/DC veio ao Brasil pela primeira vez em 1985. Em 15 e 19 de janeiro, eles se apresentaram na primeira edição do Rock in Rio.
DEU CHOQUEO nome da banda surgiu quando Margaret, irmã de Angus e Malcom, não gostou da ideia de batizar o grupo como Third World War (Terceira Guerra Mundial). Ela sugeriu AC/DC, como estava escrito atrás de sua máquina de costura (alguns garantem que era o aspirador de pó). Sugestão aprovada, pois as quatro letrinhas sugeriam eletricidade e força.
Detalhe: o nome costuma ser atribuído à lenda da preferência bissexual dos músicos, pois remete ao fato de o aparelho elétrico poder ser ligado em duas formas diferentes de corrente elétrica. Assim como o Kiss, cujo nome foi ligado a práticas demoníacas por fanáticos religiosos, com o AC/DC não foi diferente.
Chegaram a associar a sigla a anti christ/ devil’s children (anticristo/ filhos do demônio), ligando a banda ao satanismo. Os músicos esclarecem: AC/DC quer mesmo dizer alternating current/ direct current – em português, corrente alternada/ corrente contínua.